quinta-feira, 10 de abril de 2008

QE raio vou fazer para decidir?

Imaginem que têm um problema qualquer... ou um projecto, uma ideia de gestão, algo.

Existem várias maneiras de analisar o impacto dele no meio em que se inclui... quer pessoal, quer de grupo, quer social ou empresarial.

Uma dessas maneiras é com uma ferramenta de tomada de decisão chamada


OS SEIS CHAPÉUS DE BONO.

Cada interveniente no processo de tomada de decisão é convidado numa reunião presencial ou à distância mas simultânea em termos temporais a utilizar cada um de seis chapéus coloridos.

Seguem-se os seguintes passos:

1. - O problema, projecto, plano de acção ou ideia é lançado para "cima da mesa".

2. - Os intervenientes são convidados a colocar na cabeça o chapéu de cor branco e em 30 segundos (60 no máximo) listar TODOS os items de que se lembrem e que revelem razões pelas quais a ideia é boa. Mais NADA. Apenas focar FACTOS que TORNEM a ideia algo bom e exequível. (Ex.: Custo, empenho, teamwork, relação interpessoal. Produtividades, possibilidade de lucro a curto prazo etc. NÃO devem ser considerados. Apenas as coisas BOAS que sejam palpáveis DURANTE a execução do plano proposto.)

3. - De seguida são convidados a colocarem na cabeça o chapéu de cor vermelho. Ao usarem este chapéu os participantes deverão escrever APENAS sensações causadas ao encararem o problema projecto ou ideia. SEM justificar... apenas sensações: (Ex.: Desconforto, euforia, esperança, receio, etc.

4. - O passo seguinte levará os reunidos a usar o chapéu preto. Aqui deverão enumerar factos novamente mas desta vez negativos. Negativos não do objectivo em si mas do resultado do seguimento da acção de resolução do problema, como plano, projecto ou ideia: (Ex.:tem custo elevado... requer muita mobilização de recursos ocupa espaço.... etc).

5. - O Chapéu seguinte será o Verde da criatividade. Com ele, é suposto elaborar alternativas ao método proposto. Qualquer alternativa é válida desde que viável, claro.

6. - Chegou a vez do chapéu amarelo. Ao utilizá-lo os participantes deverão escrever todas as vantagens e só as vantagens que esperam vir a ser alcançadas ao seguir o método proposto. (Ex.:Lucro, produtividade, etc).

7. - Por último cada um dos elementos colocará na cabeça um chapéu azul. Ao usá-lo deverá então abstrair-se de todas as suas sensações, emoções e interesses pessoais e olhar de cima para a solução proposta. Como se nada nela tivesse directamente a ver com ele. E enumerar de novo a impressão geral sobre a ideia utilizando a chamada "visão de helicóptero".

Tomada de Decisão:

Neste momento a mesa estará cheia de papéis com as opiniões de cada interveniente. É hora da análise final.

O "moderador" deverá então escrever num quadro os Factos positivos, os Factos negativos, as sensações, as vantagens, desvantagens, alternativas, emoções, lucros e visões globais reunidas e, a partir daí, simplesmente enumerá-las e apresentar à mesa o resumo.

Se o resumo for negativo, pela quantidade de sensações más ou de aspectos negativos do projecto, ideia ou desenvolvimento, deverá ser escolhida uma das alternativas. Esta será votada e escolhida.

Poderá depois ser objecto de nova análise "chapelar" ou não...

Se a análise global retornar um somatório positivo deverá então ajustar-se para que as sensações negativas sejam compensadas de alguma forma. Mas seguir-se-á o plano de acção proposto.

CONCLUSÃO:

Este processo pode parecer ridículo, mas é muito divertido fazê-lo USANDO os chapéus mesmo.

E porquê o uso deles?

É importante que as pessoas os tenham na cabeça porque ajuda a focalizarem-se apenas NESSE ponto... além de que torna a reunião divertida, dinâmica e de alguma forma, de entretenimento e de cooperação.

O meu desejo para nós hoje é que tenhamos sempre a coragem para usar chapelinhos, a serenidade para os usar em conjunto e a sabedoria para distinguir os que nos servem!

Abraços...
... e até amanhã!

MagiCminD

terça-feira, 8 de abril de 2008

A Inteligência Emocional (uma aproximação técnica)

Inteligência Emocional e Competências Emocionais

Em curto, penso que será correcto afirmar que a IE será "apenas" a capacidade de reconhecer e lidar com as nossas emoções e com as dos outros.

Competências como a auto-motivação, o controlo do impulso estão incluídas, mas no fundo o retorno mais notado será a capacidade de gerir relações interpessoais de uma forma eficaz.


Neste post desejo expôr o que se diz, cientificamente falando, da IE.
Sei que parecerá duro, seco, técnico, mas penso ser importante para quem quiser começar a navegar por estas lides, portanto....

Aqui vai:




Steve Hein, do EQ Institute, escreveu, em 1999, dez hábitos comuns a pessoas com um QE elevado (QE, análogo ao QI, será o quociente de inteligência emocional):

---------------8<-----------------8<---------------8<-----------------8<---------------8<----------------
OS DEZ HÁBITOS DOS EMOCIONALMENTE INTELIGENTES


(Copyright 1999, pode ser usado para fins educativos)



A pessoa emocionalmente inteligente é capaz de:

.1 reconhecer as suas emoçõesao invés de categorizar as pessoas ou situações.
  • "Sinto-me impaciente" contra "isto é ridículo"
  • "Sinto-me magoado, estou um pouco azedo" em vez de "és um parvalhão!"
  • "Estou com medo" em vez de "Conduzes como uma besta"

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.2 distinguir entre pensamentos e emoções:

  • Pensamentos: "Sinto-me como um...", "eu sinto-me como se..." , "sinto que...."
  • Emoções: "eu sinto [emoção]"
Por exemplo:
  • "Eu sinto nojo" em vez de "isso faz-me sentir vontade de vomitar"
  • "Eu sinto revolta!" em vez de "sinto-me como se fosse capaz de explodir o mundo!"
  • "Eu sinto alegria!" em vez de "sinto que hoje vai ser um dia bom!"

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.3 responsabilizar-se pelas suas emoções
  • "Eu sinto ciúmes!" VS "Estás a fazer-me ciúmes!"

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.4 usar as suas emoções na tomada de decisão:
  • "como me sentirei se fizer isto?" "como me sentirei se não o fizer?"

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.5 respeitar as emoções dos outros.
  • "como te sentirás se eu agir assim?" " e se não?"
  • "que reacção causará em ti eu agir assado?"

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.6 sentir-se dinâmico, sem estar irado.
  • Utilizar o que os outros chamam de revolta, ira, raiva, para ajudar a sentir-se dinamizado, motivado e construir algo.

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.7 valorizar e realçar as emoções dos outros.
  • Mostrando empatia, compreensão, e aceitação do que o outro sente.

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.8 obter algo positivo de uma emoção que parece negativa
  • "Como é que me sinto.. e como é que conseguirei sentir-me melhor?"

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.9 não aconselhar, ordenar, controlar, criticar, julgar querer ensinar os demais.
  • Entendemos que quem está do lado receptor destas "operações" não se sentirá bem, portanto, torna-se algo a evitar.

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.10 evitar pessoas que o/a desvalorizam, ou desrespeitam as suas emoções.


---------------8<-----------------8<---------------8<-----------------8<---------------8<---------------- Competência Emocional:

Uma competência aprendida, baseada na inteligência emocional e que resulta numa óptima performance no trabalho. A nossa inteligência emocional determina o nosso potencial para a aprendizagem das competências sociais, com base em 5 elementos: auto-conhecimento, motivação, auto-regulação, empatia e adaptação às relações.
A nossa Competência Emocional mostra-nos quanto deste potencial conseguimos aplicar na prática
(Goleman, Working with Emotional Intelligence)



A tabela abaixo mostra as 5 dimensões que Goleman definiu e as 25 competências emocionais:




PESSOAIS


-Auto-conhecimento
-> reconhecimento emocional (conseguirmos captar as nossas emoções e seus efeitos)
-> auto-reconhecimento apurado (conhecer as nossas forças e os nossos limites)
-> auto-confiança (um bom sentido do valor que se tem e das nossas capacidades)


-Auto-regulação
-> auto-controlo (manter impulsos sob vigia...)
-> consistência ( respeitar standards de honestidade e integridade)
-> consciencialização (responsabilização pela nossa performance pessoal)
-> adaptabilidade (flexibilidade na gestão da mudança)
-> inovação (sentirmo-nos confortáveis com novas ideias, pontos de vista, novos dados.)


-Motivação
-> metas de realização (fazer por atingir um standard de excelência)
-> compromisso (alinhar com os objectivos do grupo/equipa)
-> iniciativa (prontidão na resposta a oportunidades)
-> optimismo (persistência na obtenção de resultados, apesar de obstáculos)




SOCIAIS

-Empatia
-> compreender os outros (sentiras perspectivas e emoções dos outros, tomar um interesse activo nas suas preocupações)
-> desenvolver os outros (perceber as necessidades de desenvolvimento dos outros e ajudá-los a despoletar as suas capacidades)
-> orientação ao cliente (antecipar, reconhecer e ir de encontro à necessidade do outro)
-> diversificação nivelada (distribuir oportunidades por diferentes tipos de pessoas)
-> conhecimento político (conseguir ler as correntes emocionais doo grupo e as relações priviligiadas)

-Adaptação às relações ou habilitações em grupo
-> influência (aplicar tácticas efectivas de persuação)
-> comunicação (praticar a escuta activa e conseguir transmitir mensagens convincentes)
-> gestão de conflitos (negociar e resolver situações de conflito)
-> liderança (inspirar e guiar indivíduos e grupos)
-> catalisador de mudança (iniciar e gerir a mudança)
-> criação de laços (promover e nutrir relações interpessoais)
-> colaboração e cooperação (trabalhar em equipa)
-> gestão de equipas (criar sinergias para obtenção das metas da equipa)








Aqui estão as bases da IE.

Em textos que colocarei aqui farei abordagens mais simplistas destes temas, utilizarei linguagem menos técnica, tentarei ajudar-me a ser melhor a cada dia.
Espero que mereça a tua companhia e participação.








Bases literárias:
Emotional Intelligence by Daniel Goleman (1995),
Working with Emotional Intelligence by Daniel Goleman (1998)



Para testares online a tua inteligência emocional:


CYBERIA SHRINK- EMOTIONAL INTELLIGENCE QUIZ
(http://www.queendom.com/emotionaliq.html)





Até amanhã...

MagiCminD

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Os telefones e nós


As prioridades são, logicamente, a saúde, a família, o bem-estar, e depois o resto.

Penso que para qualquer pessoa isso acontece assim. Mais item, menos item, a saúde está em primeiro lugar. Mas há uma coisa que realmente me tira do sério: O telefone.

Seja no formato de telefone simples, central, topo de gama com memórias, máquina de café e mudanças automáticas, telemóvel GSM com GPRS, UMTS, GPS, AM/FM, MMS, SMS, e mais 345000 siglas, a maquininha parece ter sobre o nosso comportamento uma prioridade imensa.
Não falo de QUEM nos telefona, mas sim do aparelhinho em si.

"-Paiiiiii, olha eleeeeeeeee!!!"
"-Ó filho espera lá..."
"-triiimmm , trriiimmmm"
"-ups, onde é que está o telemóvel????"

Não é?
Reconhecem?
Eu felizmente e por opção não tomo isto como meu, mas reconheço que eu também já dou importância a mais a qualquer das maquininhas decorrentes da invenção do "amigo" Graham.

TRRIM (ou sob a forma de qualquer coisa em formato AAC, MIDI ou MFF ou MP3 ou WAV ou etc etc etc) passou a ocupar a 1ª posição na lista das prioridades das pessoas.

Se vamos a uma reunião de trabalho, é natural desligar o telemóvel, ou colocá-lo "no silêncio". mesmo assim, se por acaso ele vibrar, é normal ver o feliz possuidor dar "saltinhos inquietos" e não é de prazer...

E porque o desligamos? Para "não incomodar" os outros? Não... para não INTERROMPER a reunião!!! Agora pensem porquê... Mesmo que nós não o atendamos, vão olhar para nós e interromper à espera que nós o façamos... IRRA!

Mas aquilo que me custa mais é ver que as pessoas, mesmo doentes de facto não prescindem do correr para ver quem é. SIM, para ver quem é.. porque como disse, às vezes olhamos e decidimos não atender... "-mas pode ser algo importante...".

Tenho a minha mãe doente. Com um rol de coisas que não interessa para aqui.
Hoje, sentada, a ver TV, queixava-se enquanto eu fazia uma canja de como lhe doíam as pernas etc.
Então não é que aquilo tocou no quarto.. e ela queria levantar-se para ir ver quem era????
Epá...
E nem adiantava... calculando o que eu precisava de fazer (passar as mãos por água - por estar a limpar a galinha - limpá-las mal e porcamente enquanto corria ao quarto descobrir onde estava etc,) e o tempo disponível até à pessoa que ligava ser reencaminhada para a caixa de mensagens... não valia sequer a pena. Iria ficar ainda mais frustrado quando, ao chegar.. ele se "desligasse".

Mas ela queria.
Então e as dores? E o mal estar? e o cansaço?
E o facto de o stress também piorar a coisa?
Resumindo...
Tenho o telemóvel dela aqui comigo, em silent mode para ela não se exaltar, na sua mesinha de cabeceira está o fixo, à mão de semear e com indicador de nº chamador para ela ver se quer atender e eu, enfim, eu não gosto de telefonemas, então quando toca, logo vejo se me apetece atender...
Às vezes tenho aquilo ligado ao auricular de modo que toca NO AURICULAR e nem vejo...

Enfim..

Mas minha gente...

Não se dê prioridade a uma maquininha que foi feita para NOS servir....

Qualquer dia tem mais influência na nossa vida do que o relógio!


Um abraço,

MagiCminD